No caminho certo…

Quem não passa tempos procurando o caminho, especialmente o caminho certo?
Pois é…  Comigo não foi diferente…
Venho buscando respostas e soluções há muitos anos.
Por vezes acreditamos que encontramos, mas, sem perceber a coisa foi embora e sem saber estamos numa trilha que não nos levará a lugar algum.
Minha avó sempre dizia que quando estamos perdidos, todos os caminhos se assemelham e não nos indicam coisa alguma, ora, nisso a vovó tinha e tem razão!
O que eu estou querendo dizer com essa conversa mole?! Não sei! Vamos descobrir juntos!

Dias atrás, minha irmã me convidou para, juntas, darmos “um jeito numas coisas” que meus pais guardam no quintal de casa. Uma arrumação!
Nos preparamos com elegância: vassouras, rodos, panos variados, máscaras para proteger da poeira e muita, muita, boa vontade.
Invadir e remexer nos pertences de outros não é lá muito fácil, imaginem mexer nas coisas do vovô e da vovó, é quase uma batalha, mas tudo deu certo!

Nesse vai e vem de coisas, pra-lá-e-pra-cá, acabamos nos deparando com uma boa parte de nosso passado.
Em princípio, você se mantém durona,  aquilo tudo é “coisa velha”, vai embora!
No segundo tempo, os objetos que vão passando por nossas mãos parecem ter uma fita adesiva, vai ficando mais difícil de nos desfazermos…
Mas estamos ali para uma faxina total, não se esqueça: lixo, doações, encaminhar para ecopontos, enfim, destinos determinados. Certo?  Nem tanto!
Não demorou muito e estávamos sentadas no chão cercadas de caixas de recordações e como mágica nossa história estava ali  como um filme ou melhor, uma peça teatral.
Lembranças e boas risadas…  aniversários, festas na escola, o primeiro dia disso, daquilo, a coisa foi se ampliando e cada objeto tinha sua própria história pra contar, eram como presentes que tínhamos a felicidade de tocar e reencontrar!  Pedacinhos de nós mesmas!

Me lembrei, observando aquela cena, da colcha de retalhos que minha bisavó tinha em sua cama…
Uma vez perguntei a ela como tinha sido a sua confecção, pois era tão linda, tão colorida e tudo tão certinho, um pedacinho juntinho do outro fazendo uma peça tão harmoniosa.
Como era de seu jeito, a bisa sorriu e com toda simplicidade me disse que eram “lembranças em tirinhas e quadradinhos que toda pessoa guarda de momentos que viveu, tristes, nas cores mais escuras e sem vida, alegres, nas cores claras e desenhos mais suaves e os brancos, lembranças dos momentos felizes, que davam o equilíbrio na montagem final, geralmente no arremate”, naquela época, achei muito linda a explicação, mas confesso que não entendi nada! Sorri, abracei minha bisa e voltei a brincar no quintal.

Hoje observando a cena que nós protagonizamos com tanta alegria, sentadas no chão com roupas gastas e sujas, em meio a toda aquela bagunça, entendi o que a bisa me disse naquela tarde…
Estávamos diante de nossos retalhos, cada peça, cada componente dessa história, é na verdade, um pedacinho daquilo que vivemos por todos esses anos.
Foi ali, naquele momento de descontração e emoção que surgiu na minha frente, claramente, a idéia da “trilha da alegria” o “caminho certo”, retalhos de nós mesmos, daquilo que fomos, somos e seremos.