Por que “Caixa de Retalhos”?

Tenho recebido perguntas por que “Caixa de Retalhos”?  Respondo:
Aí vai para quem não sabe.
Para quem já sabe  vale relembrar, afinal “recordar também é viver”!

Tempos atrás, eu e minha irmã resolvemos dar “um jeito numas coisas” que meus pais guardavam no quintal de casa.

Invadir e remexer nos pertences de outros não é lá muito fácil, imaginem mexer nas coisas do vovô e  da vovó, é quase uma batalha, mas tudo deu certo!
Naquele vai e vem de coisas, pra-lá-e-pra-cá, acabamos nos deparando com uma boa parte de nosso passado.
Mas estávamos ali para uma faxina total, não se esqueça: lixo, doações… Certo?  Nem tanto!
Os objetos que vão passando por nossas mãos parecem ter vida, vai ficando difícil de nos desfazermos.
Não demorou muito e estávamos sentadas no chão cercadas de caixas de recordações e como mágica nossa história estava ali  como um filme ou melhor, uma peça teatral. Lembranças e boas risadas: aniversários, festas na escola, o primeiro dia disso, daquilo, a coisa foi se ampliando e cada objeto tinha sua própria história para contar, eram como presentes que tínhamos a felicidade de tocar e reencontrar!  Pedacinhos de nós mesmas!

Me lembrei, observando aquela cena, da colcha de retalhos que minha bisavó tinha em sua cama.
Uma vez perguntei a ela como tinha sido a sua confecção, pois era tão linda, tão colorida e tudo tão certinho, um pedacinho juntinho do outro fazendo uma peça tão harmoniosa.

Como era de seu jeito, a bisa sorriu e com toda simplicidade me disse que eram “lembranças em quadradinhos que toda pessoa guarda de momentos que viveu, tristes nas cores mais escuras e sem vida, alegres nas cores claras, lembranças dos momentos felizes, juntos vão dando o equilíbrio na montagem final”. Naquela época, achei muito linda a explicação, mas confesso que não entendi nada! Sorri, abracei minha bisa e voltei a brincar no quintal.

Foi então que observando a cena que nós protagonizávamos com tanta alegria, sentadas no chão  em meio a toda aquela bagunça, entendi o que a bisa me disse naquela tarde, já tão distante.

Estávamos diante de nossos retalhos, cada peça, cada componente dessa história, é na verdade, um pedacinho daquilo que vivemos por todos esses anos.
Foi ali, naquele momento de descontração e emoção que surgiu na minha frente, claramente, a ideia de uma caixa de retalhos guardada em algum canto qualquer.

 

Retalhos de nós mesmos, daquilo que fomos, somos e seremos.