SEXTA-FEIRA, DA SANTIDADE AO TERROR

Tantos fatos tristes, deprimentes, decepcionantes e assustadores, nos fazem pensar a respeito.
Muitas ideias diferentes se apresentam à nossa mente.
Mesmo assim, falar o que?
De redenção, de compaixão?
Caridade, benevolência, abnegação?
Afeto? Amor?!

Estamos estarrecidos diante de situações factuais que não nos deixam dúvidas de que a humanidade retoma mais um período de “noites traiçoeiras e imensamente negras”.

Onde o humano deixa de existir e assume em seu lugar a brutalidade, o fanatismo, a intolerância, a crueldade!

E não falo somente de pessoas, ou crenças, mas englobo cidades, culturas, religiões, países ricos ou pobres, governantes, seguidores, cidadãos.

Uma lista incalculável de afetados!

Outros, ignorantes de suas responsabilidades, esmorecendo na conduta lisa e reta que a sua posição lhe solicita, parecem não se incomodar, não são tocados por tamanha tragédia, seguem em seus “castelos idealizados” sem se dar conta de que o mundo treme e a Mãe Terra chora!

 

E nós seguimos assustados, hipnotizados, indolentes, impotentes, paralisados, amedrontados, descrentes em “estado de choque”, totalmente vazios.
Vazios de redenção, de compaixão.
De Caridade, benevolência, abnegação
De Afeto e de Amor!

 

 

 

Nesse momento me vem à mente a figura doce e amorável do Divino Mestre que nos deu, segundo a tradição, a sua vida para nos salvar, também numa sexta feira, chamada “santa”.

A entrega total de um ser iluminado, divinizado, que deixou a sublimidade das esferas superiores para, como um beija flor mergulhado no pântano, nos trazer o “reino de Deus” retratado em esperança e fé!
Hoje tenho a certeza que nós não o entendemos!

 

Imaginávamos que Ele seria o Salvador das nossas dores materiais, sem que tivéssemos que fazer nada para isso, que Ele nos salvaria das diferenças políticas que nos afligiam, que Ele esmagaria os nossos adversários.


Julgamos que Ele seria somente um rei, um rei de barro e ouro, como aquele bezerro que adorávamos no deserto do Sinai.

Mas Ele não era esse tipo de rei!

E nós não percebemos, não entendemos.
Não entendemos seu reinado de paz e não de violência.
Não entendemos seu reinado de irmandade e não de divisões.
Não entendemos seu reinado de humildade e não de egoísmo.
Não entendemos seu reinado de amor e liberdade…  

E nessa saga de ignorância O crucificamos!
Sem piedade, sem dar-lhe chance alguma.
E agora?!
Agora, passado tanto tempo, fazemos tudo novamente.
Crucificamos pessoas, ideologias, culturas, conceitos, nacionalidades.
Nas nossas crenças inúteis, na soberba, na ganância, na vaidade, num verdadeiro mar de lama de futilidades e egoísmos, nos aterrorizamos com brutalidades e insensibilidades.
Crucificamos a nós mesmos!

Que a sexta feira, chamada de “terror” deixe sua marca profunda nos nossos corações, que nossas reflexões não fiquem somente nas redes sociais, na apatia que os meios de comunicação nos impõe, que a nossa mobilização seja um ato de amor verdadeiro ao semelhante.

Na oração sincera, na atitude cívica, na movimentação pacífica, porém imperiosa de nossa vontade, deixemos nossos sofás confortáveis e nossas salas climatizadas e vamos nos unir nas casas de oração, igrejas, mesquitas, em tantos outros lugares, para solicitar misericórdia ao Mais Alto, ao Espírito Criador, seja Ele quem for, tenha forma que tiver, habite onde quer que seja, não importa, tudo isso hoje se torna imensamente pequeno diante de tanta necessidade de união e fraternidade universal sincera, profunda e verdadeira!

Perdoai-os, eles não sabem o que fazem…

Perdoai-nos, nós não sabemos o que fazemos!

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