“Sexta-feira da Paixão”

A “sexta-feira”, chamada “santa”, é uma das comemorações cristãs mais importantes quando se fala em aprofundar as nossas reflexões.
Porque traz até nós a personificação da caridade, da benevolência, da abnegação…
Da redenção, da compaixão…
“Sexta-feira  da  Paixão”…
Do amor puro!

 

Há tempos atrás, era uma das festas que mais me empolgava. Lembro que quando criança, a religiosidade nos envolvia de forma profunda, as novenas, a via sacra, os terços conduzidos pelas senhorinhas na igreja, os santos cobertos com panos roxos durante a quaresma, a procissão do “Jesus morto”, que saía do altar, depois das rezas da tarde, e percorria os quarteirões próximos, as janelas enfeitadas com toalhas brancas, retratos dos santos e flores em vasos coloridos.

Ficávamos em frente de nossas casas aguardando a chegada daquela pequena multidão entoando cânticos tristes e trazendo várias crianças vestidas de “anjinhos”, normalmente para pagar algum tipo de promessa, em posição de reverência, quietos e encantados com toda aquela demonstração de respeito e fé!

 

 

A entrega total de um ser iluminado, divinizado, que deixou a sublimidade das esferas superiores para nos trazer o “reino de Deus” retratado em esperança, coragem e fé!  

Simbolizando a vontade de seguir sempre aprendendo e crescendo espiritualmente. Isso tudo na figura doce, meiga e mágica de Jesus de Nazaré!

Mas nós não o entendemos, imaginávamos que Ele seria o Salvador das dores materiais, Mas Ele não era esse tipo de rei.
E nós não percebemos, não entendemos.
Não entendemos seu reinado de amor e liberdade.

O crucificamos…
Sem piedade, sem benevolência, sem dar-lhe chance alguma de habitar o nosso coração.


Ritos afetuosos que fizeram parte da nossa formação cultural, mas que perderam valor, perderam significado…

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