Recomeça!

Estrelas sempre brilham no céu infinito, podemos não vê-las, mas elas estão lá, brilhando.

E foi assim que uma estrela se destacou e brilhou mais forte, numa noite se apresentou e mudou o meu caminho!

Era um anjo…

 

 

Uma linda e brilhante criatura divina!

Tão colorida e maravilhosa, mostrou sua luz!
Uma conversa fraterna, carinhosa e franca.
Tão nossa, tão íntima, como um encontro pessoal!
Era o sussurrar de Deus em meu ouvido a dizer:  Recomeça!

Depois desse encontro tudo mudou.
Novas esperanças surgiram.
Perceber novamente o colorido da vida é reconfortante!
Sensação maravilhosa!

 

Um dia após o outro, um pouquinho melhor a cada dia!
Força, coragem e fé, buscando novamente o caminho certo!

A ponte que leva a recomeçar se chama Amor de Deus.

Ele envia seus mensageiros para nos amparar e encaminhar para o melhor de todos os caminhos!
A vida vai então mudando…

De frente comigo, descobri que sempre é possível recomeçar, buscar novos caminhos e trilhar a estrada de reencontro com a alegria de viver.
Não basta apenas sobreviver!

 

 

E assim aconteceu.
Aqui estamos novamente recomeçando.
De reencontro com a alegria de viver!

Recomeça!… A cada dia, Deus sussurra em nossos ouvidos…

Viver para não se arrepender!

A vida é um presente de Deus e deve ser celebrada!

Você já percebeu como a vida é fugaz?

E o seu fim se chama morte…

 Claro que eu sei que a morte faz parte da vida, afinal é a única certeza que temos desde quando aqui aportamos.

Mas é difícil quando ela chega…

Conheço pessoas que de tanto medo nem pronunciam essa palavra.

 

Tem gente que foge do assunto e se arrepia, outros choram só de pensar.
Tem os que rezam e os que se revoltam.

Sei também que existem inúmeras maneiras dela se apresentar, tem morte matada, tem morte morrida, tem precoce e aquelas que jamais deveriam acontecer.
De qualquer forma, é sempre triste!

Separar, despedir, terminar, encerrar, nunca mais…
Tem quem acredite que é o fim.
Tem também quem diga que é apenas o começo.

 

 

 

Você deve estar se perguntando, aonde vamos chegar com essa prosa?
Não, não vamos falar dela, a morte, apesar de considera-la natural e inerente ao viver humano.
Não!
Vamos falar da vida.

Vida, vida tão fugaz… Passageira… Efêmera…

Vamos refletir sobre a grandiosidade que ela, a vida, em contraponto com a morte, nos traz como oportunidade de crescimento, pessoal, emocional e especialmente espiritual.

 

 

A vida é um espaço de tempo terreno tão curto, tão precário, e ao mesmo tempo tão intenso, que deveria ser mais valorizado, tão mais respeitado, tão mais amado.

Refletir sobre essa dualidade, vida e morte, nos leva ao mais puro sentimento de gratidão e afetuosidade por Deus, afinal foi Ele que nos permitiu essa oportunidade.
Aprender, com dedicação, a amar e praticar a generosidade.
Para sermos cada dia melhor!

 

A vida nos permite experimentar e saborear tantas emoções e sentimentos que chega a ser impossível descrever em palavras.
Existe uma intensidade de valores que bem colocados nos indicam o caminho certo: Compreender o verdadeiro amor ao próximo!
Tantas vezes e por tantas bocas apregoado, mas que somente se valoriza quando, ao contrário do viver, o apagar do fluxo vital se vai, ou seja, a morte surge!
Dizem que fomos o melhor de todos os seres… Será?!

Quero aqui nessa pequenina reflexão celebrar a vida!

A vida nos foi dada para:
Amar, se doar, ser generoso, fraterno!
Simplesmente deixar o fluxo verdadeiro do viver ser o guia de nossos pensamentos e atitudes. Conviver em união e harmonia!
Dizer com frequência o quanto amamos, o quanto somos felizes, o quanto somos gratos!

Não deixar para amanhã o que podemos fazer e dizer hoje!

 

Resolver questões de divergências e de incompatibilidades é natural, afinal somos imperfeitos, aprendizes do bom senso, mas erramos na fórmula, na maneira como, partimos para opiniões fechadas e afrontosas, irredutíveis nos nossos valores inviabilizamos qualquer contra, qualquer outra ideia.

Separamo-nos por pequenos erros, blasfemamos por tudo, nos tornamos secos de afeto e afastamos as grandes chances de reconciliações por divergências insignificantes.
Negamos perdão, deixamos passar o barco da compreensão, perdemos a viagem!

Celebrar a vida…
Abraçar, beijar, estar próximo, rir, rir muito de nós mesmos, considerar, reconsiderar, ser prestativo, dividir para multiplicar, somar para ganhar, estar disposto a ajudar, ser presente, ser “o presente”… e assim vai…

 

Aprendi com minha querida mestra que o que deixamos quando partimos é “uma imagem”.
Nos lembramos daqueles que nos deixaram através do seu modo de viver, daquilo que nos marcou mais profundamente.
No decorrer da minha vida, confirmei essa lição.
Portanto, que nossa imagem seja boa de ser lembrada!

Celebrar a vida a cada instante…
Afinal “só deixa saudades quem foi amor!”

Vou ficando por aqui, cada um que reflita e descubra a maneira mais afetuosa e amorosa de celebrar a sua vida!

Forte abraço a todos…

Viver para não se arrepender!

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  • (fugaz: que tem rapidez; rápido, ligeiro, veloz; que desaparece rapidamente, que dura muito pouco; efêmero, passageiro).

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O PODER DO ABRAÇO

Pode ser de alegria e também de tristeza.
Quando estamos fracos.
Mas também quando fomos fortes.
Não pode faltar!

 

 

 

Algumas vezes é contido e discreto.
Noutras exagerado.
Demonstrando sem pudor
O que nos fez cativar!

 

Pode ser generoso.
Outras vezes amoroso.
Chega quando esperamos.
E também sem esperar!

 

Tem na insegurança.
E depois de se tentar.
Fortalece o que está perto.
E também pode aproximar!

 

Tem na derrota.
E sempre que precisar.
Tem na vitória.
E pelo que conseguimos conquistar!

Na partida ou na chegada.
É sempre especial
Fortemente fervoroso.
Faz a saudade acalmar!

Humildemente gentil.
Aconchega e faz sorrir.
Tem de pai e de amigo
Tem de mãe e de quem mais chegar!

 

O poder do abraço
É envolvente.
Capaz de apaziguar.
É divino e faz curar!

Quem ainda não sentiu
Não sabe o que perdeu.
Descubra e aproveite
Seu poder de realizar!

Muito se tem falado em diferenças, inclusão, coragem, superação, conquistas e vitórias, não é mesmo?!

Pois bem, tudo isso me fez lembrar um tempo em que, por força do trabalho, conheci inúmeras pessoas excluídas de todas as formas de convívio social e descobri que elas são capazes de desenvolver uma fórmula de sobrevivência para não sucumbir.

Abro agora minha caixa e apresento um retalho interessante que estava bem guardado, lá no fundinho.

Esse retalho foi muito importante na minha vida pessoal e profissional…

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Era um público impossível de descrever com palavras, somente com o coração!

Carências múltiplas que não dá nem para listar.

 

Mas tenham a certeza que foi um dos melhores momentos da minha carreira.

Aprendi bastante, me tornei uma pessoa e uma profissional bem melhor!

20 alunos, na faixa dos seus 18 anos, atrasados no currículo escolar e com inúmeras dificuldades sociais.

O objetivo do projeto era dar o mínimo de condição para que pudessem voltar a conviver em sociedade.

 

No início fiquei bastante assustada, porém não estava em condições de rejeitar a oferta, “meti as caras e fui!”

No primeiro dia, me chamou a atenção, um jovem alto, esguio, envolto num capuz enorme que cobria a sua cabeça sempre baixa, não permitindo que víssemos seu rosto, nunca!

Assim ficou durante todo o tempo das aulas, não importando o quanto insistíamos para que ele participasse das atividades.

Seu nome era João*,  na hora da chamada ele respondia  balançando lentamente a cabeça e só!

O tempo foi passando e o grupo se entrosando, é incrível como o ser humano é capaz de se adaptar e se adequar as situações que se lhe apresentam.

Estava maravilhada com o desenvolvimento daquelas criaturinhas tão sofridas e esquecidas de si mesmas!

Mas… O melhor vem agora…

Certa manhã o Joao* apareceu sem o famoso capuz, vestido num jeans limpíssimo  com a camiseta do uniforme.  Barba feita, um sorriso tímido e um par de olhos azuis lindíssimos!

Foi uma surpresa maravilhosa!

Todos o abraçaram e tomaram a iniciativa de incluí-lo nas tarefas.

Lentamente o nosso João* foi tomando coragem e se mostrando uma  “pessoinha”  inesquecível!

No dia reservado para  os alunos falarem sobre suas vidas,  João* realmente se superou, abriu seu coração e deixou sair o seu melhor.

Contou-nos com detalhes a sua história pessoal, como vocês já devem prever, de violência e rejeição!

Sua vida na rua, o convívio com a bandidagem, o uso de drogas para afastar o medo e a fome, experiências incrivelmente dolorosas e profundamente marcantes…

Explicando sua atitude encolhida de desconfiança e medo!

 

Todos o abraçaram e o acolheram de modo incrível, afinal todos ali  tinham sua história de abandono, preconceito, exclusão e muitas, muitas carências…

Nos dias finais, o João* era outro garoto!

 

 

No último dia, com os olhos lacrimejando e o coração batendo forte, recebi  um abraço tão forte,  afetuoso e quente  que sou capaz de senti-lo até hoje…

“- Professora, a Sra.  é a pessoa mais especial que já passou pela minha vida, obrigado. Nunca vou me esquecer da Sra. e do que aprendi aqui!”

Nos abraçamos e choramos juntos…

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Estamos acostumados a acreditar que somente atos grandiosos são capazes de modificar ou de aproximar, que somente com muito dinheiro, tempo, cultura ou preparo é possível  devolver dignidade a alguém, digo-lhes que isso é fantasia ou comodismo, pois pequenos gestos de amor e um bocadinho de dedicação e afeto “movem montanhas” e o resultado benéfico é tão gratificante que não pode ser descrito em palavras, é o tipo de coisa que apenas o coração é capaz de compreender , não precisamos “ter”, basta “ser”!

O que mais me marcou nessa vivência foi a capacidade que temos de transformar através do acolhimento e do afeto!

João* estava seco, desconfiava de todos que dele se aproximava temendo receber o pior, quando sentiu seu coração irrigar de amor, afeto e inclusão, seu rosto se iluminou e seus olhos azuis brilharam!

Nunca mais encontrei o João*,  mas não importa, o que ficou na minha caixa de retalhos é a  certeza da força do acolhimento e do afeto, capaz de fazer emergir a coragem e a superação, transformando “um menino cabisbaixo e triste numa pessoa  alegre e sorridente!

 

Eu não me esqueci de você João*, o menino  que chegou amedrontado e triste, inseguro e distante e saiu um jovem rapaz sorridente, acreditando em si mesmo!

 

Mais uma vez… O AMOR valeu a pena!

(*Nome fictício)

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