A tal menina-chata!

Certa vez viajando a trabalho conheci uma garota muito especial, na verdade a nossa história se tornou especial!

Trabalhávamos juntas em um projeto social e dividíamos a mesma sala e o mesmo grupo.

 

Todas as vezes que nos reuníamos para discutir o tema da próxima aula, lá vinha a tal “menina chata” com mais uma história que não tinha nada ver com aquilo que estávamos discutindo.

 

Esse comportamento irritava todo o grupo, criando uma antipatia que dificultava o bom andamento do trabalho, a partir daí o ambiente ficava desagradável com tantas discussões e a nossa equipe recebia punições constantes.

 

Certa tarde fria e chuvosa, daquelas que parece tudo desarrumar na vida da gente, não consegui sair para almoçar e resolvi pedir um lanche e comer por ali mesmo, minutos depois a nossa colega se sentou ao meu lado e começou a contar uma de suas histórias, se referia a uma viagem que havia feito para a Disney e…Tralalá… Tralalá…
Já me preparava para ficar irritada, estava mal humorada e cansada, quando decidi que naquela tarde tiraria tudo a limpo, faria diferente, inverteria a situação e perguntei-lhe sobre a sua família, não me lembro mais por que, mas recordo muito bem da resposta.

Qual não foi a minha surpresa ao saber que a nossa amiguinha era órfão de pais há muitos anos, desde criança, que havia perdido sua avozinha há pouco tempo e que não tinha mais ninguém no mundo.

 

Completou dizendo que morava sozinha e que estava longe de sua cidade sem amigos e que se sentia bastante triste por não ter a quem esperar ao chegar em casa e não encontrar quem a esperasse.

Não sei bem por que, mas aquilo me tocou, uma garota tão jovem, sozinha, sem ninguém para conversar ou contar suas histórias, por isso ela falava sem parar!

 

Tem coisas que acontecem na vida da gente que não sabemos explicar basta apenas sentir e naquele momento senti que podia ouvi-la sem me irritar e assim foi que ficamos nesse papo por um longo tempo.

Afinal, com quem nossa companheirinha dividiria suas experiências e vivências, vitórias e derrotas, conquistas e fracassos senão com aqueles que estavam ao seu lado, procurava a nossa amizade como numa súplica e nós ali, juízes implacáveis de um orgulho monstruoso, a condenávamos como algozes sem piedade!

Nem preciso dizer que nos tornamos amigas, né?!

Quando me dei conta, estávamos compartilhando nossas histórias e em muitas delas ríamos como “velhas amigas” ou “as mais novas amigas de infância”!

Desde aquele nosso encontro, naquela sala vazia, aquela chuvinha que escorria pelas janelas enormes, tendo como pano de fundo o frio característico das tardes de inverno, a minha percepção sobre a “tal menina chata” foi mudando, mudando, mudando…
Passamos a dividir  nossas vidas.

Até que nosso contrato de trabalho terminou e voltamos para nossas cidades, para nossas casas, para nossas vidas, eu para minha família e ela… bem… ela…
Demorou um tempo, mas também formou a sua família!
Casou-se, teve um casal de filhos e…
Não sei!

Novamente a vida nos separou e perdemos contato.

Mas tenho certeza que ela está bem, feliz e realizada, contando para os seus todas aquelas histórias “maravilhosas” que um dia tanto nos irritou!

A vida é mesmo mágica!

Lembrei-me do antagonismo de uma história verdadeira:
Num dia a tal menina-chata, no outro a tal menina-amada!

 

Ah! Essa nossa “caixa de retalhos”, quantas lembranças de dias chuvosos, tardes frias e tristes que se transformaram em pequenos retalhos de afeto e muito amor!

 

 

Este pequeno retalho é para você minha querida amiguinha, aonde quer que você esteja sempre será uma lembrança especial, guardada com carinho na minha caixa de retalhos!

Dedico este relato, esta recordação, a tantas outras “meninas-chatas” que querem apenas serem acolhidas e amadas…

 

É muito bom enxergar a vida como ela é: DIVINAMENTE PERFEITA!!!

Aproveitando o Dia do Médico, quero deixar registrado o meu mais sincero e respeitoso agradecimento, especialmente a dois profissionais que me devolveram a vida em formas, cores e tamanhos… Literalmente!

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Sentia um pequeno incomodo no olho esquerdo, tinha a sensação de “areia nos olhos”, pela manhã estava sempre vermelho e levemente inchado.

Quando o dia terminava a sensação era de ardor intenso, parecia “que tinha fogo…” e a visão se apresentava diminuída. A desculpa era de vista cansada, foi assim por mais algumas semanas.

Como não temos tempo a perder com bobagens, a vida foi seguindo com a pressa de todos os dias.

Até que numa manhã a dor era quase insuportável e me obrigou a procurar um médico.

Veio o primeiro diagnóstico: “ressecamento de pálpebra”, tratamento simples. Ok.

Não melhorava, ao contrário, só piorava, não conseguia abrir o olho e a dor aumentara muito, sem falar na visão que estava bastante prejudicada, voltei ao hospital, outro oftalmologista, e mais uma vez não apresentava melhoras, visitei novamente o centro oftalmológico e recebi outra resposta: “inchaço grave na córnea já bastante machucada”, daí a visão ruim.

Afastamento total de todas as atividades, inclusive a profissional.
Novo tratamento. E mais uma vez a decepção, nada de melhorar.

Com o fim das férias retornei a São Paulo, sem melhoras, nada de retroceder os sintomas.

Mais duas consultas em especialistas e nada, continuava a piorar até que “a coisa ficou feia de verdade”.

 

 

Não enxergava sem óculos e muito menos com ele… não lia e não escrevia não assistia TV e muito menos computador… a ‘fotofobia’ me impedia de sair, a dor era insuportável, a sensação de “areia nos olhos”  constante, e… (vou parar por aqui pra não ficar muito piegas) fiquei reclusa no quarto escuro por, aproximadamente, dois meses.

Foi quando encontrei “dois anjos”, profissionais sérios e competentes que deram novo rumo a minha vida!

O tempo perdido em idas e vindas, inúmeros medicamentos fortes e indiscriminadamente indicados, numa quantidade excessiva me prejudicaram além da conta, o caso se tornou gravíssimo…

“Mas tem saída”. me disse a Doutora. Ufa!!!

“A medicação é cara, o tratamento é lento, longo e doloroso, mas vai melhorar”.

Sai do consultório assustada porém animada. Afinal tinha uma saída, a Doutora afirmava que voltava ao normal, com demora, mas… Chego lá!

E assim aconteceu…

Foram mais de 3 anos de tratamento, consultas, retornos, remédios, exames…

 

Agradeço, primeiramente a Deus e depois aos meus dois “anjos-doutores oftalmologistas”, Dr. Marcos e Dra. Giovana, a cada dia que posso abrir os olhos e ver a luz, conviver com ela e desfrutar das maravilhas que ela pode me proporcionar!

Médicos competentes e dedicados, com respeito, carinho e atenção trataram do caso com a seriedade e os cuidados que necessitava.

Obrigada! Sempre! Muito obrigada!!!

 

Descobri que “a cada dia basta o seu cuidado”, é perda de tempo a preocupação e a ansiedade, basta viver o hoje e tudo de maravilhoso que ele nos oferece!

O simples gesto de abrir o olho e enxergar com clareza o que nos rodeia é uma tremenda conquista, perceber a tonalidade das cores e divisar os contornos, é bálsamo para quem não tinha mais essas percepções!

Não sei se aprendi a lição, mas vejo tudo com muito mais clareza e é muito bom enxergar a vida como ela é: DIVINAMENTE PERFEITA!!! 

Felicidade imensa. Conseguimos!!!

Como já dizia o poeta: “SE CHOREI OU SE SORRI, O IMPORTANTE É QUE EMOÇÕES EU VIVI…”  

Simples assim.

Hoje, do alto dos meus bons anos vividos, posso perceber e chego a conclusão que viver é realmente uma arte, a arte de aprender a ser feliz com pouco, a arte de amadurecer na dor e na alegria.
Que a doença física traz a saúde do espírito, que cada conquista emprega muitos desafios que nos tornam fortes e saudáveis.

Que sem a luz do amor nosso caminho fica tortuoso e sem graça, que afeto e  generosidade nos aproximam cada vez mais do que é realmente importante.

 

Remexer nessa caixa de retalhos, me levou ao início, onde tudo começou, quando sentada no chão, no quintal da casa de meus pais, decidi compartilhar as lembranças, sentimentos e emoções guardados no fundo do baú.

FOI ASSIM QUE TUDO COMEÇOU!

 

Depois daquele dia, quando decidi repartir minhas lembranças, reflexões, pensamentos, histórias de vida, relembrar pessoas que deixaram suas marcas, registrar singelas homenagens.

Com o simples objetivo de recordar.

 

Trago no coração a grata satisfação de que o projeto que nasceu num momento de alegria incontida, diante de pedacinhos coloridos de lembranças e de afeto cresceu e se fortaleceu.

Hoje chega a muitos outros corações, em lugares onde jamais imaginaria chegar.

É uma felicidade imensa. Conseguimos!!!

Agradeço a você que sempre nos visita, deixa seu recadinho, seus comentários e sugestões, pela confiança e carinho!

 

Hoje, após viver o ontem, sei que posso chegar ao amanhã fortalecida.

Feliz por ter angariado tanta confiança, carinho, afeto e acima de tudo muito amor, de todos os rótulos.
Lindas mensagens e votos de prosperidade futura.

Demonstrações que floriram o meu jardim interior com variadas flores coloridas!

Mais uma etapa, mais um ano, mais uma chance, assim vamos vivendo e refletindo, recordando e acreditando que o hoje pode ser melhor que o ontem e que o amanhã…
Bem, o amanhã, quando ele chegar, viveremos…
E recontaremos suas histórias como se fosse ontem!
Assim é a vida!  Uma “caixa de retalhos” a nos presentear com boas e amáveis recordações, simples e afetuosas lembranças.

 

Se não foram tão boas, tão gentis, certamente nos ensinaram a sermos melhores, sempre melhores!
Recontando nossa história descobrimos o quanto aprendemos!!!

 

Vivemos e não podemos negar, sentimos e não podemos apagar. Mas, podemos dar novo significado e nova direção em busca da alegria e da felicidade.

 

Ao abrir as nossas “caixas” deixamos fluir o que de melhor existe: nossos retalhos coloridos!

Unindo os pequenos retalhos, um a um, chegaremos a coloridos e harmoniosos sonhos.

Esperanças renovadas de “mudar o final da história, já que não podemos alterar o início”.

Bem vindos a nossa “caixa de retalhos”!
Os pedacinhos vão sendo reencontrados…

Porque alguém um dia me disse que queria ser feliz…

Já recontei essa nossa história, mas vale relembrar!

 

Um dia alguém me disse que queria ser feliz…

Entre as muitas andanças que fiz por essas estradas da vida, uma delas me fez acreditar que podemos encontrar a felicidade em lugares incomuns.

 

Estava prestando serviço em um dos inúmeros projetos sociais da cidade onde morava.
Deveríamos preparar alguns jovens para exercerem atividades numa panificadora.
Era uma tentativa de readaptação social através de um projeto-piloto.
Sabíamos que seria trabalho árduo para retorno incerto, mas era o meu trabalho, fazer o que?!

Fazia parte do grupo uma garota de nome *Elizabete, cabelos longos e louros, olhos azuis e um sorriso largo.

Ela era bem humorada mas gostava de desafiar a minha autoridade.
Elizabete sempre chegava cedo, ficávamos conversando até que o restante do grupo chegasse.

 

Em uma de nossas conversas comentei que achava linda a cor dos seus olhos e perguntei “se vinham do pai ou da mãe”…

Pela primeira vez *Elizabete não ironizou, costumava debochar de tudo, mas desta vez foi diferente, seus olhos marejaram e depois de algum tempo em silêncio, ela me disse que não sabia, pois não conhecera seus pais, tinha sido levada para o abrigo muito neném” e por lá havia ficado até fugir com 10 anos de idade, vivera na rua com todo o tipo de gente, experimentara muitas drogas e para sobreviver havia se prostituído aos 12…
E completou dizendo que “nunca ninguém havia falado dos seus olhos daquele jeito e que eu tinha me preocupado com ela de uma maneira diferente, que ela não sabia explicar”.

Fiquei sem reação, só consegui abraçar aquela criança com jeito de gente grande e lhe
disse baixinho: “Não importa o que passamos ou fomos, sempre podemos dar um final feliz pra nossa história”.
Sei lá, foi a única coisa que me veio a mente.
Choramos juntas e nos despedimos naquele dia.

Interessante é que havia algo especial que nos unia.
Aquela garota bonita, tão mal tratada pela vida, no físico, na aparência, nos relacionamentos e no psicológico, escondia algo grande atrás daqueles olhos azuis imensos e intensos.

No dia seguinte, *Elizabete veio perfumada, com os cabelos penteados e presos num rabo de cavalo, sua roupa estava limpa e seus olhos brilhando como duas pedrinhas azuis.
Me abraçou e me beijou, não era habitual essa maneira de me saudar!
E me disse: “Professora, essa noite eu não consegui dormir pensando naquilo que a senhora me disse e resolvi que quero ser feliz, tenho só 16 anos e tenho muitos sonhos. Botei meu nome na lista pra começar a trabalhar”.

 *Elizabete se tornou a minha melhor aluna.
A sua dedicação foi recompensada, seu nome foi aceito para integrar a equipe que participaria do projeto.

Na nossa despedida ela me entregou um bilhetinho com um pacotinho embrulhado em papel de presente e me disse: “Professora, eu te amo! Eu quero ser feliz. Muito obrigado!”
Era uma estatueta pequenina: um menino sentadinho numa pedra com a mão na testa pensativo e no seu pé uma frase: “estou pensando em você”.
No bilhete estava escrito: “É de pobre mas comprei com o dinheiro que economizei do trabalho que fiz, é dinheiro honesto. Nunca se esqueça de mim. Eu te amo muito. Queria que a senhora fosse minha mãe.  Um beijo”

*Elizabete conseguiu o seu trabalho, foi adotada por uma família provisória e voltou a estudar.
Seguiu seu caminho e foi feliz!

Muito tempo se passou desde aquele encontro, mas trago comigo o seu sorriso, a sua alegria e a sua determinação em SER FELIZ!

Não sei de sua vida atual, pois perdemos contato, mas tenho na minha cabeceira aquela estatueta: estou pensando em você.
Me incentivando a buscar superação e felicidade sempre!

Esse “retalhinho” homenageia as inúmeras “Elizabetes” que precisam apenas de um abraço e um “empurrãozinho” para encontrar a felicidade!

Porque alguém um dia me disse que queria ser feliz… e conseguiu!

  • (Elizabete é um nome fictício)

 

Recolher-se por alguns dias

 

Recordo-me de uma passagem da vida do grande apóstolo Paulo, quando, depois de várias adversidades, resolve se recolher em trabalho simples no deserto, buscando encontrar a si mesmo através do equilíbrio de mente e coração, alinhar o espírito com a sua tarefa pessoal e divina.

 

Como sabemos, esse recolhimento resultou na certeza e confiança, maior serenidade e coragem, pois recebemos na sequência a grandiosidade de seu trabalho evangélico, rompendo barreiras e atingindo o nosso coração, nos levando ao Mestre através de seu amor incondicional!

 

Muitas vezes, depois de vários contratempos, despedidas, decepções, expectativas não atingidas, falta de ânimo, descrença e até alguns medos, assim como Paulo, a alma clama por novos olhares, a essência divina nos impulsiona a superar medos e dúvidas.

 

Para superar crenças por vezes é preciso nos recolhermos.
Dar um tempo. Encarar-se. Descobrir-se.

Buscar serenidade.

Recolher-se por alguns dias.

Buscar novo sentido para o nosso viver.
Descobrir novos caminhos e trilhar a estrada de reencontro com a alegria.
Determinação, coragem e autoconfiança são fatores decisivos.

Quando estamos determinados, nenhum obstáculo ou dificuldade poderá impedir-nos de seguir em frente.

E lembre-se que o segredo é estar preparado para quando a oportunidade chegar.

 

 

 

Acredite na mágica que leva ao amanhecer de um novo dia!
Pois em tempos tão aloprados não basta apenas sobreviver.


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Recomeça!

Estrelas sempre brilham no céu infinito, podemos não vê-las, mas elas estão lá, brilhando.

E foi assim que uma estrela se destacou e brilhou mais forte, numa noite se apresentou e mudou o meu caminho!

Era um anjo…

 

 

Uma linda e brilhante criatura divina!

Tão colorida e maravilhosa, mostrou sua luz!
Uma conversa fraterna, carinhosa e franca.
Tão nossa, tão íntima, como um encontro pessoal!
Era o sussurrar de Deus em meu ouvido a dizer:  Recomeça!

Depois desse encontro tudo mudou.
Novas esperanças surgiram.
Perceber novamente o colorido da vida é reconfortante!
Sensação maravilhosa!

 

Um dia após o outro, um pouquinho melhor a cada dia!
Força, coragem e fé, buscando novamente o caminho certo!

A ponte que leva a recomeçar se chama Amor de Deus.

Ele envia seus mensageiros para nos amparar e encaminhar para o melhor de todos os caminhos!
A vida vai então mudando…

De frente comigo, descobri que sempre é possível recomeçar, buscar novos caminhos e trilhar a estrada de reencontro com a alegria de viver.
Não basta apenas sobreviver!

 

 

E assim aconteceu.
Aqui estamos novamente recomeçando.
De reencontro com a alegria de viver!

Recomeça!… A cada dia, Deus sussurra em nossos ouvidos…

Viver para não se arrepender!

A vida é um presente de Deus e deve ser celebrada!

Você já percebeu como a vida é fugaz?

E o seu fim se chama morte…

 Claro que eu sei que a morte faz parte da vida, afinal é a única certeza que temos desde quando aqui aportamos.

Mas é difícil quando ela chega…

Conheço pessoas que de tanto medo nem pronunciam essa palavra.

 

Tem gente que foge do assunto e se arrepia, outros choram só de pensar.
Tem os que rezam e os que se revoltam.

Sei também que existem inúmeras maneiras dela se apresentar, tem morte matada, tem morte morrida, tem precoce e aquelas que jamais deveriam acontecer.
De qualquer forma, é sempre triste!

Separar, despedir, terminar, encerrar, nunca mais…
Tem quem acredite que é o fim.
Tem também quem diga que é apenas o começo.

 

 

 

Você deve estar se perguntando, aonde vamos chegar com essa prosa?
Não, não vamos falar dela, a morte, apesar de considera-la natural e inerente ao viver humano.
Não!
Vamos falar da vida.

Vida, vida tão fugaz… Passageira… Efêmera…

Vamos refletir sobre a grandiosidade que ela, a vida, em contraponto com a morte, nos traz como oportunidade de crescimento, pessoal, emocional e especialmente espiritual.

 

 

A vida é um espaço de tempo terreno tão curto, tão precário, e ao mesmo tempo tão intenso, que deveria ser mais valorizado, tão mais respeitado, tão mais amado.

Refletir sobre essa dualidade, vida e morte, nos leva ao mais puro sentimento de gratidão e afetuosidade por Deus, afinal foi Ele que nos permitiu essa oportunidade.
Aprender, com dedicação, a amar e praticar a generosidade.
Para sermos cada dia melhor!

 

A vida nos permite experimentar e saborear tantas emoções e sentimentos que chega a ser impossível descrever em palavras.
Existe uma intensidade de valores que bem colocados nos indicam o caminho certo: Compreender o verdadeiro amor ao próximo!
Tantas vezes e por tantas bocas apregoado, mas que somente se valoriza quando, ao contrário do viver, o apagar do fluxo vital se vai, ou seja, a morte surge!
Dizem que fomos o melhor de todos os seres… Será?!

Quero aqui nessa pequenina reflexão celebrar a vida!

A vida nos foi dada para:
Amar, se doar, ser generoso, fraterno!
Simplesmente deixar o fluxo verdadeiro do viver ser o guia de nossos pensamentos e atitudes. Conviver em união e harmonia!
Dizer com frequência o quanto amamos, o quanto somos felizes, o quanto somos gratos!

Não deixar para amanhã o que podemos fazer e dizer hoje!

 

Resolver questões de divergências e de incompatibilidades é natural, afinal somos imperfeitos, aprendizes do bom senso, mas erramos na fórmula, na maneira como, partimos para opiniões fechadas e afrontosas, irredutíveis nos nossos valores inviabilizamos qualquer contra, qualquer outra ideia.

Separamo-nos por pequenos erros, blasfemamos por tudo, nos tornamos secos de afeto e afastamos as grandes chances de reconciliações por divergências insignificantes.
Negamos perdão, deixamos passar o barco da compreensão, perdemos a viagem!

Celebrar a vida…
Abraçar, beijar, estar próximo, rir, rir muito de nós mesmos, considerar, reconsiderar, ser prestativo, dividir para multiplicar, somar para ganhar, estar disposto a ajudar, ser presente, ser “o presente”… e assim vai…

 

Aprendi com minha querida mestra que o que deixamos quando partimos é “uma imagem”.
Nos lembramos daqueles que nos deixaram através do seu modo de viver, daquilo que nos marcou mais profundamente.
No decorrer da minha vida, confirmei essa lição.
Portanto, que nossa imagem seja boa de ser lembrada!

Celebrar a vida a cada instante…
Afinal “só deixa saudades quem foi amor!”

Vou ficando por aqui, cada um que reflita e descubra a maneira mais afetuosa e amorosa de celebrar a sua vida!

Forte abraço a todos…

Viver para não se arrepender!

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  • (fugaz: que tem rapidez; rápido, ligeiro, veloz; que desaparece rapidamente, que dura muito pouco; efêmero, passageiro).

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O PODER DO ABRAÇO

Pode ser de alegria e também de tristeza.
Quando estamos fracos.
Mas também quando fomos fortes.
Não pode faltar!

 

 

 

Algumas vezes é contido e discreto.
Noutras exagerado.
Demonstrando sem pudor
O que nos fez cativar!

 

Pode ser generoso.
Outras vezes amoroso.
Chega quando esperamos.
E também sem esperar!

 

Tem na insegurança.
E depois de se tentar.
Fortalece o que está perto.
E também pode aproximar!

 

Tem na derrota.
E sempre que precisar.
Tem na vitória.
E pelo que conseguimos conquistar!

Na partida ou na chegada.
É sempre especial
Fortemente fervoroso.
Faz a saudade acalmar!

Humildemente gentil.
Aconchega e faz sorrir.
Tem de pai e de amigo
Tem de mãe e de quem mais chegar!

 

O poder do abraço
É envolvente.
Capaz de apaziguar.
É divino e faz curar!

Quem ainda não sentiu
Não sabe o que perdeu.
Descubra e aproveite
Seu poder de realizar!

Muito se tem falado em diferenças, inclusão, coragem, superação, conquistas e vitórias, não é mesmo?!

Pois bem, tudo isso me fez lembrar um tempo em que, por força do trabalho, conheci inúmeras pessoas excluídas de todas as formas de convívio social e descobri que elas são capazes de desenvolver uma fórmula de sobrevivência para não sucumbir.

Abro agora minha caixa e apresento um retalho interessante que estava bem guardado, lá no fundinho.

Esse retalho foi muito importante na minha vida pessoal e profissional…

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Era um público impossível de descrever com palavras, somente com o coração!

Carências múltiplas que não dá nem para listar.

 

Mas tenham a certeza que foi um dos melhores momentos da minha carreira.

Aprendi bastante, me tornei uma pessoa e uma profissional bem melhor!

20 alunos, na faixa dos seus 18 anos, atrasados no currículo escolar e com inúmeras dificuldades sociais.

O objetivo do projeto era dar o mínimo de condição para que pudessem voltar a conviver em sociedade.

 

No início fiquei bastante assustada, porém não estava em condições de rejeitar a oferta, “meti as caras e fui!”

No primeiro dia, me chamou a atenção, um jovem alto, esguio, envolto num capuz enorme que cobria a sua cabeça sempre baixa, não permitindo que víssemos seu rosto, nunca!

Assim ficou durante todo o tempo das aulas, não importando o quanto insistíamos para que ele participasse das atividades.

Seu nome era João*,  na hora da chamada ele respondia  balançando lentamente a cabeça e só!

O tempo foi passando e o grupo se entrosando, é incrível como o ser humano é capaz de se adaptar e se adequar as situações que se lhe apresentam.

Estava maravilhada com o desenvolvimento daquelas criaturinhas tão sofridas e esquecidas de si mesmas!

Mas… O melhor vem agora…

Certa manhã o Joao* apareceu sem o famoso capuz, vestido num jeans limpíssimo  com a camiseta do uniforme.  Barba feita, um sorriso tímido e um par de olhos azuis lindíssimos!

Foi uma surpresa maravilhosa!

Todos o abraçaram e tomaram a iniciativa de incluí-lo nas tarefas.

Lentamente o nosso João* foi tomando coragem e se mostrando uma  “pessoinha”  inesquecível!

No dia reservado para  os alunos falarem sobre suas vidas,  João* realmente se superou, abriu seu coração e deixou sair o seu melhor.

Contou-nos com detalhes a sua história pessoal, como vocês já devem prever, de violência e rejeição!

Sua vida na rua, o convívio com a bandidagem, o uso de drogas para afastar o medo e a fome, experiências incrivelmente dolorosas e profundamente marcantes…

Explicando sua atitude encolhida de desconfiança e medo!

 

Todos o abraçaram e o acolheram de modo incrível, afinal todos ali  tinham sua história de abandono, preconceito, exclusão e muitas, muitas carências…

Nos dias finais, o João* era outro garoto!

 

 

No último dia, com os olhos lacrimejando e o coração batendo forte, recebi  um abraço tão forte,  afetuoso e quente  que sou capaz de senti-lo até hoje…

“- Professora, a Sra.  é a pessoa mais especial que já passou pela minha vida, obrigado. Nunca vou me esquecer da Sra. e do que aprendi aqui!”

Nos abraçamos e choramos juntos…

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Estamos acostumados a acreditar que somente atos grandiosos são capazes de modificar ou de aproximar, que somente com muito dinheiro, tempo, cultura ou preparo é possível  devolver dignidade a alguém, digo-lhes que isso é fantasia ou comodismo, pois pequenos gestos de amor e um bocadinho de dedicação e afeto “movem montanhas” e o resultado benéfico é tão gratificante que não pode ser descrito em palavras, é o tipo de coisa que apenas o coração é capaz de compreender , não precisamos “ter”, basta “ser”!

O que mais me marcou nessa vivência foi a capacidade que temos de transformar através do acolhimento e do afeto!

João* estava seco, desconfiava de todos que dele se aproximava temendo receber o pior, quando sentiu seu coração irrigar de amor, afeto e inclusão, seu rosto se iluminou e seus olhos azuis brilharam!

Nunca mais encontrei o João*,  mas não importa, o que ficou na minha caixa de retalhos é a  certeza da força do acolhimento e do afeto, capaz de fazer emergir a coragem e a superação, transformando “um menino cabisbaixo e triste numa pessoa  alegre e sorridente!

 

Eu não me esqueci de você João*, o menino  que chegou amedrontado e triste, inseguro e distante e saiu um jovem rapaz sorridente, acreditando em si mesmo!

 

Mais uma vez… O AMOR valeu a pena!

(*Nome fictício)

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Os portais do planeta OLIMPÍADA estão se fechando…

 

Os Jogos Olímpicos se encerram…

Um certo dia, os portais do planeta OLIMPÍADA se abriram.

Superatletas, seres especiais, invadiram as terras do Rio de Janeiro.

Subiram no degrau mais alto e nos mostraram que o impossível pode ser possível!

 

Sem se importar com o cansaço, a dor, a limitação ou sacrifício, os habitantes do planeta Olimpíada, nos mostraram que respeito, solidariedade, agilidade, desejos, duelos, combates, superação, precisão… São atributos de suas competências!

Na ginástica, no remo, no salto, na maratona, no tênis, no futebol, no voleibol, esses seres nos mostraram o caminho do sucesso, da vibração, do foco e da motivação.
Talvez a recompensa não tenha sido a esperada, porém aprendemos que tal lugar é para poucos!
Uma conquista única!
Nunca mais outra igual!

 

Na grama ou na areia, voaram, correram e arremessaram o maior sonho de todos os tempos, talvez nunca mais outra oportunidade.

 

Arqueiros, canoeiros e velejadores enfrentaram com coragem os elementos da natureza: água e ar.
Uau! Grandes magos!

No bailado sob a água ou sobre o tablado, na ponta da espada, em cima de um garboso cavalo, correndo ou nadando na piscina e em alto mar, em cima de um tatame ou de um ringue, estes guerreiros nos mostraram:
Treinamentos intermináveis.
Repetições.
Ensaios.
Movimentos precisos.

E as conquistas lhes renderam posições de destaque e muito respeito em seus reinos e lá serão recebidos como heróis!

Desafio, perseverança, estratégia, um por todos e todos por um, independente de vitórias ou derrotas, no campo ou na quadra, a grandiosidade do espetáculo nos levou ao mais alto grau de admiração pela dedicação, empenho e superação.

Lágrimas foram parte integrante desse contexto.
O choro compulsivo de muitos nos mostraram competência e excelência.
Outros nos deram respostas mais modestas, queriam mais, porém foi o que deu! Sem apoio, patrocínio ou aplausos, serão lembrados pela superação, pela garra, pela determinação!

Esperança.
Sonho.
Conquista.
Objetivo: VITÓRIA!!!

Esses seres trouxeram na bagagem muito mais que uma competição.
Trouxeram o maior sonho de suas vidas!
E levaram a certeza de que é possível sonhar com o impossível!

Nos mostraram que neste planeta se confraternizar também faz parte do show.
Foi uma demonstração festiva de celebrar a paz entre os povos!

 

Os portais desse planeta chamado OLIMPÍADA estão se fechando…
Os Jogos Olímpicos se encerram…

Ouro, prata, bronze!

Recordes surpreendentes!

Nada mais será capaz de representar sentimentos e emoções tão fortes, profundos e significativos!

Afinal, uma Olimpíada é simples…
Simplesmente inesquecível!

 

Vamos ficando por aqui…

Que venham os próximos Jogos Olímpicos!
Temos um novo encontro marcado para daqui a 4 anos, em Tóquio…

Até lá!!!

Já estou com muitas saudades… Afffi!!!